terça-feira, 20 de setembro de 2011

REVISTA TI-TI-TI - LUAN SANTANA

O cantor Luan Santana tem 20 anos. nasceu em Campo Grande (MS) em 13 de março de 1991. É filho de um bancário com uma dona de casa, que moram em Londrina (PR) com sua irmã, Bruna, de 16. Há dois anos é o maior vendedor de discos e DVDs do Brasil. Com 2 milhões de seguidores no Twitter, é uma das 50 celebridades mais citadas na internet no mundo, ao lado de estrelas como o rapper 50 Cent e a cantora Britney Spears.

Seu primeiro trabalho, Tô de Cara (2008), trouxe o sucesso Meteoro, que o tornou conhecido em todo o Brasil. Depois vieram Luan Santana ao Vivo (2009) e Luan Santana ao Vivo no Rio de Janeiro (2010). Há três semanas, ele venceu a categoria de Melhor Show no Prêmio Multishow de Música, mas não pôde comparecer à entrega porque iria cantar em Leme (SP). Luan faz até 25 apresentações ao vivo por mês. Jamais usa play-back. Na semana passada, por exemplo, esteve em Parauapebas (PA), Redenção (PA), Limeira (SP) e Itu (SP). Nodomingo (11), antes de um espetáculo em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, recebeu TITITI em uma suíte de hotel para uma conversa franca e sem rodeios…



TITITI - Fale um pouco sobre a sua infância: “Eu nasci em Campo Grande, mas como meu pai trabalhava em banco, a gente mudava muito de cidade. Já morei, por exemplo, em Maringá (PR), Manaus (AM), Ponta Porã (MS) e Assis (SP). Mas considero a minha casa mesmo o Mato Grosso do Sul, berço da minha família. Adorava passar as férias em Jaraguari, uma cidadezinha sul-matogrossense onde minha avó materna tinha chácara. Lá eu e meu tio, um pouquinho mais velho que eu, passávamos o dia pescando, andando a cavalo, subindo em arvores… Lembro com carinho quando minha avó preparava um chá gelado pra mim. Parecia uma raspadinha de chá. Uma delícia!”

TITITI - Na época, já pensava em ser cantor? “Sim e queria cantar igual Zezé Di Camargo. Gostava do jeito como ele cantava, superalto com aquela voz bonita! Eu achava o máximo o cara viver de música, ter uma multidão de gente chorando e suspirando por ele e ainda ser pago para isso! A primeira música que aprendi a cantar foi Muda de Vida, do Zezé e do Luciano. Todo CD que eles lançavam eu comprava e ficava ouvindo o dia inteiro.”


TITITI - O que é que toca hoje no seu iPod? “Tem Bruno Mars, John Mayer (cantor country americano), Rihanna. Tem também um CD com as dez músicas mais tocadas no rádio nos EUA, que gosto de ouvir para tirar referências. Quando chego pilhado, depois de um show, coloco Chitãozinho & Xororó, Trio Parada Dura, Bruno e Marrone. Aí relaxo e viajo.”

TITITI - Geralmente, quando compõe? “De madrugada, quando chego do show, estou cheio de adrenalina e não consigo dormir. Aí fico ouvindo músicas. Então me vem à cabeça uma frase ou uma melodia, que me inspiram. Penso primeiro na melodia, e gravo no celular. Em seguida vem a letra. É tudo muito rápido, meio na intuição. A canção As Lembranças Vão na Mala é inspirada no rock light da banda Nickelback, que gosto muito.”


TITITI - O Começo da carreira foi difícil? “Sim. Teve um dia que saí de Campo Grande para fazer um show num bar em Maringá. Fomos de van e, chegando lá, descobrimos que só haviam sido vendidos 25 ingressos. Aquilo foi um baque. Viajar 700 quilômetros e topar com a plateia vazia… Naquele momento, cheguei a pensar em desistir.”

TITITI - Você chorou? “Não chorei porque sou meio difícil de chorar. Mas fiquei chateado mesmo. Dias depois, recebi carta de uma fã que me deu nova esperança para continuar. Ela me mandou uma filha de papel de carta, com um monete de embalagens de bombons coladas. Dizia: “Você é o meu Sonho de Valsa. E siga em frente, pois a Família Luan Santana está aqui do seu lado e estará com você até o final”. Ou seja, meus fãs me estimularam a prosseguir! Baseado nessa carta, compus Chocolate, sucesso do meu disco atual.”


TITITI - Quando as coisas começaram a melhorar? “Quando fui fazer um show e conheci o Anderson Ricardo, que virou meu empresário. Ele me apresentou a compositores mais experientes para ampliar meu repertório. Foi quando conheci também o Sorocaba, da dupla com Fernando, que me apresentou três musicas. Uma delas era Tô de Cara e a outra, Meteoro. Foi aí que deu o clique e eu pensei: “Agora vai


TITITI - Com quantos anos você deu o seu primeiro beijo? ”Com 14. Beijei uma menina da escola, mas foi só “ficar”. Não namoramos.”

TITITI - E quando aconteceu sua primeira transa? ”Com 16 anos, mas eu não vou dizer com quem foi e nem onde foi (risos).”

TITITI - Tem liberdade pra levar namorada para dormir na casa dos seus pais? “Sim, mas eu prefiro não fazer isso. No Momento, não estou namorando, mas quando estou, eu prefiro ser discreto. Por respeito aos meus pais, só levo em casa uma menina que ache muito especial. Nesses anos todos, só levei três.”


TITITI - Consegue ir para baladas? Usa disfarce? “Algumas vezes vou pra balada, sim. Desço de carri com meu segurança, com a cara lavada, numa boa. No começo vem gente conversar e tirar foto. Depois percebem que estou de boa e me deixam sossegado. Aí vou para a área vip e fico lá curtindo. Posso até ficar com uma menina, mas ninguém fica sabendo.”


TITITI - Você tem medo de alguma coisa? “De montanha-russa, de esportes radicais, tipo bungee jumping, e de avião.”

TITITI - Qual foi o dia em que mais teve medo? “Foram duas vezes. Na primeira delas, eu estava chegando para um show em Arcoverde (PE). Estávamos em um jatinho e, ao aproximá-lo da pista, o piloto viu que era muito curta. Para pousar, ele teve de desviar de uma cadeia de montanhas em volta e abaixar o avião de uma vez. Ele aterrissou quase de lado e depois freou com tudo. Naquele dia, achei que ele não iria conseguir pousar e a gente ia morrer.”

TITITI - E a segunda vez? “Foi durante um voo para Colatina (ES). Ao chegar ao aeroporto, chovia demais e havia muita neblina. Era uma escuridão total, não dava para ver um palmo à nossa frente. Os rasantes eram tão fortes que eu tinha a impressão de que faltava oxigênio e eu iria desmaiar. Naquele dia, pensei que o avião ia se espatifar. Mas, graças a Deus, na quarta tentativa ele conseguiu pousar. Tenho medo de morrer em um acidente de avião como os Mamonas assassinas.”

TITITI - O que faz pra se livrar desse pavor? “Toda vez que entro num avião eu rezo. Peço pra Deus abençoar o piloto, proteger as peças da aeronave e nos permitir fazer uma viagem tranquila, sem turbulências. Mesmo assim, durante o voo, fico tão tenso que não consigo pregar o olho.”

TITITI - Não seria mais fácil viajar de ônibus? “Se pudesse escolher, viajaria de ônibus, sim. Como tenho show em cidades diferentes do Brasil todo dia, a única forma de chegar a tempo é indo de avião. Hoje estou mais tranquilo, porque alugamos um jato seguro, o Cessna Citation II. Quando viajava de monomotor, que é mais frágil, o medo era muito maior.”


TITITI - Ter uma agenda apertada não é fácil. Você não pode nem ficar doente… “Pois é. Mas o legal é que estou fazendo o que mais gosto na vida, que é cantar. Tem dias que acordo com febre ou dor de garganta. Aí ligo para minha fonoaudióloga. Ela fala para eu fazer nebulização e descansar até a hora da apresentação. Às vezes funciona, às vezes não. Se ainda estiver rouco, abro o jogo com o público. Digo: “Estou com a garganta ruim. Vocês me ajudam a cantar?”. Assumir que estou doente é muito mais honesto do que cancelar o show ou usar playback.”

TITITI - Já aconteceu de perder um acontecimento importante por estar longe? “O episódio mais triste foi no ano passado, quando meu pai ligou pra contar que a mãe dele, a vovó Manoela, havia morrido. Ela teve um problema no coração. No dia seguinte, voltei a Campo Grande para o velório.”

TITITI - Não sente solidão por ter de ficar 25 dias por mês longe de seu lar? “Já teve dias de acordar sozinho no hotel e bater uma agonia, uma vontade danada de voltar pra casa. Nessas horas, ligo pra minha mãe. Aí ela me conta que fez um churrasco, foi ao shopping comprar um edredom… Só de ouvi-la contar essas coisas de família, já fico mais calmo. Não tem coisa melhor do que está bem em casa!”

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